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O Papa Francisco e a visão da realidade

Quinta-feira, 28.07.16

 

 

A caminho da Polónia o Papa Francisco fala aos jornalistas sobre a verdadeira guerra no mundo: a dos interesses financeiros, a das gritantes desigualdades sociais, a da voracidade na apropriação dos recursos naturais.

O Papa esclarece que a guerra não é entre religiões, esta afirmação é central para podermos compreender o que se passa actualmente no mundo, esta violência sem sentido contra pessoas comuns, este fascínio doente pela morte.


A insanidade que vemos acontecer em ataques isolados é da mesma raiz do mal presente na lógica financeira que espalha pobreza e fome.

É esta visão da realidade que o Papa nos traz uma vez mais. Um convite a observarmos atentamente o que se passa, um desafio a não nos deixarmos alienar pela informação propagada pelos media.


Que neste Jubileu da Misericórdia as pessoas comuns abram a sua consciência à visão da realidade e abracem a sua condição de cidadãos do mundo, de uma mesma humanidade.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 22:00

Double bind é o que está a ser aplicado na Grécia

Quarta-feira, 08.06.16

 

Double bind foi o que primeiro me ocorreu a propósito do filme Baby the rain must fall.

Double bind, uma forma de colocar alguém sem uma alternativa viável. Exactamente o que está a ser aplicado na Grécia.


Aqui também estivemos subjugados ao double bind da austeridade, da ausência de alternativa. A circunstância feliz dos partidos de esquerda ultrapassarem as suas divergências e encontrarem objectivos comuns é que abriu essa prisão.

Espero que também surja uma alternativa para a Grécia, entalada no double bind europeu e na vertigem de auroras douradas.

 

Um povo que aturou placidamente a humilhação da finança. Um povo que escolheu a Europa e o euro mas numa verdadeira cultura europeia. Um povo que recebeu milhares e milhares de refugiados apesar da sua situação precária.

 

 

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 21:22

O dossier Panamá

Segunda-feira, 04.04.16

 

Ora aqui está um belíssimo título para um livro ou um filme. Um trabalho de partilha de informação de jornalistas de investigação. Uma de muitas tentativas de divulgação do que se passa nos bastidores das finanças e das negociatas de quem não se quer sujeitar às regras da convivência justa, equilibrada e civilizada do comum dos mortais.


E quem encontramos lá? Algumas personagens não nos surpreendem, já contávamos com isso. Mas o primeiro-ministro da Islândia? De um país que acabou de atravessar uma das crises financeiras mais terríveis? E eu que pensava que as mulheres islandesas tinham tomado conta do poder para não deixar que cenas destas voltassem a acontecer...


O Messi? Admirado por tantos jovens de todo o mundo? Um símbolo do desporto? E logo quando o futebol ainda tem a mancha da corrupção agarrada à FIFA como pastilha elástica?


O mais interessante é constatar, quando se fala de offshores, que a cultura vigente ainda é aceitar a sua existência com naturalidade, como se fosse normal fugir ao fisco só porque se tem muito dinheiro. Tudo ao contrário, não acham? Mais aceitável seria perdoar uma pequena fuga ao fisco de quem tem pouco dinheiro... Só que para esses é a penhora.


Isto dos offshores já é uma grande rede de interesses, todos a retirar a sua parcela, bancos, empresas, advogados... A cultura vigente está tão enraizada que até gestores políticos propõem o perdão fiscal parcial e ainda se sentem gratos por esses montantes regressarem à legalidade.


E haverá ainda o argumento de que a finança poderá colapsar se se sujeitar às regras democráticas do equilíbrio de uma sociedade civilizada. De onde se poderá concluir que esta finança actual se baseia no desequilíbrio, na ausência de regras democráticas, e só funciona fora da lei.


E há outra questão muito actual que aqui surge como prioritária: a segurança. Os offshores são um óptimo esconderijo para financiar o terrorismo. 


A mudança necessária é cultural, mas tem de se começar por um lado, pelo trabalho jornalístico. 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:19

Eleições legislativas: o grupo dos Indecisos

Terça-feira, 29.09.15

Ora aqui está o grupo que vai decidir as próximas legislativas: o grupo dos Indecisos. Segundo uma sondagem recente (ontem) este grupo começou a descer para os 21% (!) e, com eles, a diferença da dupla PSD/CDS em relação ao PS.

 

Mas vejamos agora as vantagens de passar a pertencer a este grupo dos Indecisos ou dos que Não Respondem:

- as emoções estão ao rubro, os "a favor da dupla PSD/CDS" e os "contra a dupla PSD/CDS", a tal ponto que dizer-se do grupo dos Indecisos ou dos que Não Respondem é a posição mais inteligente: não "há pratos a voar lá em casa", como diz o Papa sobre certos dias difíceis nas famílias;

- divertimos-nos com as técnicas de sedução política de personagens que enganaram os cidadãos, assustaram os cidadãos, humilharam os cidadãos, e roubaram os cidadãos no seu presente, no seu futuro, e no futuro dos seus filhos. É até patético ver esta dupla dirigir-se à "classe média" como se ainda existisse uma verdadeira classe média, e não nos tivéssemos transformado num país de enormes diferenças sociais;

- a 5 dias do dia da votação é este grupo de Indecisos ou dos que Não Respondem que garante o suspense: afinal quem é que irá gerir os danos provocados pela dupla que abraçou a troika a tal ponto que "foi além da troika" porque os cidadãos "não são piegas" e, segundo um banqueiro, "aguentam, aguentam"?


É a vez dos cidadãos colocarem a dupla PSD/CDS a suar e a tremer, mantendo o suspense até ao fim. 

É a vez dos cidadãos lhes responderem à humilhação que lhes impuseram, "cortes", "impostos", "sacrifícios", para alimentar a finança e satisfazer "os mercados".

É a vez dos cidadãos utilizarem o pequeno e breve poder que mantêm, o de escolher os próximos gestores políticos.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 11:11

Mulheres na política activa e a necessidade de actualizar a percepção da realidade

Terça-feira, 14.05.13


Hoje trago mais um exemplo de uma mulher na política activa: Elizabeth Warren, senadora dos States.

Quando destaco o papel das mulheres na política activa não é no sentido de uma competição com os homens na política activa, mas para valorizar o seu lugar e o seu papel nas decisões que têm uma influência enorme na vida das pessoas.

Como neste caso desta senadora que exprime o que muitos homens não têm interesse nem coragem de referir: Wall Street continua a ser favorecida relativamente à vida dos cidadãos que trabalham, neste caso específico, ao futuro dos jovens estudantes. A finança continua a sobrepor-se à economia.

Aliás, esta rendição governamental ao poder da finança já tinha sido percebida quando se correu a salvar os dinossauros da falência sem lhes ser exigido nada em troca. Quem acabou por ficar a pagar foi a economia e o trabalho.


Matt Damon já tinha revelado o seu descontentamento com esta faceta oculta de Obama, que tanto decepcionou quem nele esperou a tal mudança (we can change... we can change... we can change) para ficar tudo na mesma. As suas opiniões levaram-no mesmo a ser ridicularizado pelo próprio Obama. Ridicularizar, humilhar em público é, aliás, uma das estratégias da linguagem do poder. Em vez de responder directamente ao que está em causa, atira-se ao lado.


É interessante também acompanhar o que alguns analistas têm verificado: os democratas no poder conseguem ser piores para a economia e o trabalho do que os republicanos, no sentido da rendição governamental a Wall Street. Alguém chegou mesmo a dizer que há reformas que só com o sorriso dos democratas conseguem ser aceites, isto é, nunca passariam com o discurso seco dos republicanos.

Aqui sorriso = capital que ainda resta da credibilidade, o que ainda é percebido como sendo a cultura de base dos democratas, isto é, defender as pessoas, o trabalho, as minorias, os mais frágeis da sociedade, perante os grandes grupos económicos e financeiros. Ironicamente, dizem os especialistas que foi com Bill Clinton que se acelerou a desregulamentação do mercado financeiro: Wall Street tomou conta.


Cá está um dos grandes enganos da política: a percepção da realidade terá de ser sempre actualizada com a observação da acção política concreta.


 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 10:23








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